Tenham medo! Tenham muito medo de terem pesadelos ou que vos rebente uma veia de tanto rirem com isto:
M-E-D-O!
Política * Sociedade * Causas civis * História * Religião
Tenham medo! Tenham muito medo de terem pesadelos ou que vos rebente uma veia de tanto rirem com isto:
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Héliocoptero
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23:47
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Etiquetas: Humor
Nos comentários a esta notícia sobre o parecer favorável da Câmara de Lisboa ao projecto de Bruno Soares para o Terreiro do Paço, houve alguém que escreveu o seguinte:
Que lindo que fica o Terreiro do Paço então aquele pilaretes no meio do rio são um espectáculo. Os turistas é que , vão apreciar muito, até vivas vão dar à beleza daquele lugar.
Quais pilaretes? Será que a personagem quer dizer as colunas do Cais das Colunas, o mesmo que está hoje à beira-rio e que já lá está desde o começo do século XX? Será possível que as sucessivas obras no Terreiro do Paço apagaram da memória de alguns o que já lá está há 100 anos? Ou o comentador é simplesmente uma criatura do mesmo calibre da outra que em tempos afirmou que os culpados do terreno acidentado de Lisboa eram os mouros, por terem construído a cidade nas colinas?
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Héliocoptero
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11:24
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Etiquetas: Humor, Querido Diário
Eu já não sei o que é que tem mais piada neste caso: a imagem de um polícia de barriga e bigode a confiscar livros com uma vagina na capa, a ignorância bruta de progenitores incapazes de explicar os genitais femininos aos seus filhos ou a ideia de um grupo de miúdos a pilhar uma feira do livro por algum efeito alucinogénico de uma obra de arte do século XIX. Depois de no Algarve terem sido proibidas as massagens na praia porque acabavam noutra coisa, agora é a vez das forças da ordem de Braga descobrirem o potêncial para a violência contido num famoso quadro de genitalia de mulher.
Eu bem sei que o caso é sério por revelar o grau e alcance da ignorância em Portugal, mas a explicação ridícula da polícia para o acto de censura - chegando mesmo a dizer que havia "iminência de confrontos físicos" - só me faz lembrar aquela anedota do menino que quis saber o que era a racha que a mãe tinha entre as pernas. Para quem não conhece a piada, a mãe disse que tinha sido uma machadada e o filho respondeu, por entre risos, «mesmo na cona!». Em Braga, o caso é o de alguém que deu com um machado na inteligência e na liberdade artística com a desculpa de que era uma vagina com efeitos de LSD.
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18:28
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Etiquetas: Humor
Em ano eleitoral, o Penates Publici vai apresentar aos seus leitores uma linha de t-shirts que recorda a "vanguarda socialista" da "esquerda" moderna de José Sócrates. Não, não estão à venda. São apenas ideias para quem quiser pegar nelas e que vão desfilar por este blogue todos os meses, semana sim e semana não, pelo menos até ao Orgulho LGBT de 2009. Estão à vontade para copiar e fazer as vossas em casa ou num qualquer estúdio ou loja. A memória não pode ser curta e o 10 de Outubro de 2008 não é para esquecer na maré eleitoralista deste ano.
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19:49
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Etiquetas: Colecção eleições 2009, Humor, Partidos políticos
Dois meses depois e já com o ano eleitoral de 2009 à vista, convém não perder a memória da coragem saloia de um PS que se disse a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas que achou por bem votar contra a legalização dos mesmos e com disciplina de voto imposta. Por uma questão de oportunidade e não de conteúdo, disseram. E por oportunidade entenda-se calendário eleitoral, o mesmo em que o PS não vai contar com o meu voto.
Faça-se a devida homenagem à "coragem" dos socialistas, que de peito aberto às lanças meteram o rabo entre as pernas e fugiram com valentia...
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11:37
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Etiquetas: Casamento civil, Direitos LGBT, Humor, Parlamento, Partidos políticos
Pelo menos é isso o que se pode depreender da seguinte passagem desta sua mui cinematográfica homilia de segunda-feira:
O Estado não regula o amor entre pessoas. Se o fizesse teria de criar muitos contratos além do casamento. A lógica da instituição matrimonial vem das implicações estruturais na sociedade da união fecunda entre mulher e homem, incomparáveis com as de qualquer outra. Escamotear isto e tratar o contrato como um direito do amor mútuo é uma tolice.
César das Neves acha que o casamento só faz sentido no contexto da "união fecunda entre mulher e homem" e que tratá-lo como "um direito do amor mútuo é uma tolice", coisas dos tempos modernos que dedicam demasiadas horas aos filmes de aventuras e poucas ao estudo das Sagradas Escrituras. César das Neves, que não é ignorante, conhecerá certamente o Código Civil, onde se pode ler o seguinte:
Artigo 1622º:
1. Quando haja fundado receio de morte próxima de algum dos nubentes ou iminência de parto, é permitida a celebração do casamento independentemente do processo preliminar de publicação e sem intervenção do funcionário do registo civil.
Ora, se o Estado permite a realização de um casamento quando um dos nubentes está em risco de vida e, pressupõe-se por essa possibilidade, reconhece essa união mesmo que o dito nubente morra poucos minutos depois da cerimónia, então o Estado está a regular afectos, isto é, a reconhecer um casamento que é um contrato meramente sentimental e material, sem possibilidade de "união fecunda da mulher com o homem" devido ao falecimento de um dos membros do casal. Assim sendo, porque não acho que o senhor Neves seja ignorante, só posso concluir uma coisa:
João César das Neves defende a necrofilia! Se ele diz que o Estado não regula afectos e, reconhecendo o Código Civil a possibilidade de um casamento com um dos nubentes próximo da morte, a conclusão só pode ser a defesa da "união fecunda entre mulher e homem" com um dos membros do casal já cadáver. Nunca pensei que o homem fosse tão progressista.
Publicado em simultâneo no Devaneios LGBT
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Héliocoptero
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Etiquetas: Casamento civil, Direitos LGBT, Humor
De modo a elevar um pouco a qualidade deste blogue, abro hoje uma senda de entradas com sugestões de leitura. Não serão certamente as mais literariamente correctas ou prestigiadas, uma vez que os meus hábitos livrescos são por regra compostos por bibliografia académica, fontes primárias da Antiguidade e Idade Média e humor, muito humor britânico. E serão desses géneros as sugestões publicadas aqui neste meu abertamente gay e mui pagão "estaminé" blogosférico. As entradas terão todas como título a referência a locais onde se pode ler um livro, neste caso no parque com...
...Good Omens, a história dos dias que antecedem o Fim do Mundo. Segundo as Boas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, uma bruxa inglesa morta na fogueira no século XVII, o Apocalipse está marcado para o próximo sábado à tarde, mais concretamente depois do chá. O Anticristo nasce onze anos antes num hospital gerido pela Ordem Cavaqueira de São Beryl, cujas freiras são obrigadas a tagarelar continuamente excepto às terças-feiras à tarde durante meia hora. A irmã Maria Loquacious estava encarregue de entregar o filho do Diabo aos pais adoptivos, mas um pequeno percalço originou uma troca de bébés e o Príncipe das Trevas acaba por crescer não na casa de um diplomata americano no Reino Unido, mas no seio de uma família rural inglesa. Enquanto isso, Aziraphale e Crowley, respectivamente o anjo que guardava o Éden e o demónio que deu a maçã a Eva, são encarregues pelos seus senhores de encaminharem os acontecimentos no sentido do Armagedão e da Batalha Final. Habituados que estavam, no entanto, aos confortos terrenos e com as suas vidas encaminhadas - o anjo com a sua livraria e o demónio com o seu adorado Bentley - os dois seres sobrenaturais, já amigos de longa data, recusam-se a abrir mão das suas rotinas e decidem malograr os planos dos seus patrões. Assim sendo, tratam de influenciar em simultâneo a educação do jovem Anticristo, na esperança de que ele nunca se consiga decidir entre o Bem e o Mal. Ou a educação de quem eles julgavam ser o Anticristo...
No seu décimo primeiro aniversário, estava previsto que o Rebento de Satã recebesse um presente do seu pai, um cão do Inferno cuja missão seria guardar e proteger o Príncipe das Trevas. Aziraphale e Crowley esperavam pacientemente à porta da casa do diplomata americano, mas, para seu espanto, a criatura demoniaca não apareceu. O alarme foi dado, o Anticristo estava desaparecido e ninguém sabia o seu paradeiro! Apenas o dito cão teria dado com ele, mas não era de esperar que ele voltasse ao Inferno para dar indicações. O que se segue é a busca pelo Filho do Diabo enquanto a tarde de sábado se aproxima e os sinais do Fim do Mundo vão-se acumulando: americanos, tibetanos, atlantes, extraterrestres e outras estranhas criaturas dos últimos dias. Pelo meio surge a única descendente viva de Agnes Nutter, o último caçador de bruxas de Inglaterra, o seu mais recente e único recruta, a sua senhoria e os Quatro Motoqueiros do Apocalipse. Sim, motoqueiros, que o tempo dos cavalos já lá vai. E a Pestilência reformou-se, mais precisamente em 1936, desgostosa com a penincelina e para ser substituida pela Poluição.
Good Omens é da autoria de Terry Pratchett e Neil Gaiman. Segundo as suas curtas biografias na página inicial, o primeiro gosta de pessoas que lhe oferecem batidos de banana, o segundo nem por isso, mas sente-se lisonjeado quando os fãs lhe enviam dinheiro, de preferência dólares. Não há, pelo menos que eu saiba, qualquer tradução portuguesa do livro.
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19:29
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Bollywood tem qualquer coisa a dizer sobre o assunto...
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Héliocoptero
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Costuma-se dizer que não se deve rir de coisas sérias, sejam elas a morte, a doença ou deus(es). Dizem as nossas avós, dizem os nossos pais (se não forem danados para a brincadeira como os meus) e dizem as vizinhas, principalmente quando se tem a infelicidade de viver numa pequena localidade que rege o quotidiano pelo sino do campanário e sermões do altar. Eu, pelo contrário, acho que é precisamente das coisas sérias que mais se deve rir, não vão elas ser levadas demasiado a sério.
O riso é, entre outras coisas, uma reacção ao ridiculo. Rir de alguém ou de alguma coisa significa que ele ou ela caiu no ridiculo. Se o fez, é porque cometeu um erro, expôs uma falha ou demonstrou um lado menos venerável, por acção sua ou de outros. Rir de uma entidade omnisciente ou omnipotente equivale, portanto, a contradizer essa natureza absoluta: se há riso há ridiculo, se há ridiculo há falhas, mas falhas é coisa que não devia haver naquilo que é todo-poderoso. No mínimo, há a ousadia de satirizar, de criticar pelo riso, de questionar o valor de regras, conceitos e argumentos ou de usá-los fora do contexto onde são inquestionáveis. Em qualquer dos casos, está em risco o estatuto de absoluto, a noção de autoridade infalível e o ser-se venerável se isso depender da omnisciência e da omnipotência. E isto tanto é verdade para uma entidade, como para uma ideia ou um sentimento, pelo que o humor é, então, um dos melhores remédios contra dogmas e limites à liberdade de expressão.
Como eu não sou adepto de poderes inquestionáveis, acho que o direito à blasfémia é parte importante da liberdade de expressão e que as religiões devem estar sujeitas à mesma sátira e humor que qualquer outro fenómeno público da sociedade civil, apresento o Godchecker.com, sítio que recolhe com um sorriso informação sobre mais de 3400 divindades, espíritos e santos que foram ou são adoradas pelo mundo fora. Tem certamente mais deuses do que os que cabem na Rua da Betesga e são todos apresentados com uma grande dose de humor com laivos de Monty Python e Terry Practchett. A página dá que muito que rir e que aprender, está aberta a contribuições dos leitores, tem uma selecção divina diária para uma gargalhada quotidiana e ainda uma loja virtual onde nem os ateus são esquecidos. Vale bem a pena uma leitura blasfema de não-crentes e principalmente de crentes: afinal, qual é o valor de uma religião que não tolera humor sobre si mesma?
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Héliocoptero
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Uma volta pelas reviravoltas e metáforas mais elabadoradas das análises das primárias do New Hampshire. A do Lawrence da Arábia é particularmente... desesperada?
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Para o prazer de quem gosta de uma boa gargalhada, em versão bilingue para quebrar eventuais barreiras linguísticas, eis a Doutrina do Traseiro conforme recentemente concebida por Toby Lamb, membro da lista Britpoly:
Most gods are a pain in the arse. Some of them are quite nice as well as being a pain in the arse. If they appear to be just nice, look out for the massive pain in the arse that's on the way when you least expect it. The ones that are just a pain in the arse are best avoided, though they will probably get to you sooner or later. Different gods like to cause different pain in different people's arses. Talk to the ones that cause the least pain in yours. The ones that cause the most pain in your particular arse won't let you not talk to them, so just get on with it and quit moaning.
So it is written.
A maioria dos deuses são uma dor de traseiro. Alguns deles são simpáticos ao mesmo tempo que são uma dor de traseiro. Se eles parecem ser apenas simpáticos, cuidado com a enorme dor de traseiro que irá aparecer quando menos esperas. Os que são apenas uma dor de traseiro são de se evitar, apesar de, provavelmente, eles te apanharem mais cedo ou mais tarde. Deuses diferentes gostam de causar diferentes dores em traseiros de diferentes pessoas. Fala com os que causam menos dor no teu. Os que causam mais dor no teu traseiro em particular não te deixarão não falar com eles, por isso segue por diante e pára de te lamentar.
Está escrito.
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Héliocoptero
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20:26
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