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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Galvão de ontem, os galvões de hoje...

Em 1974, depois do derrube do Estado Novo, um grupo de homossexuais entregou aos militares de Abril um documento onde era pedido o reconhecimento dos direitos de uma minoria sexual. A resposta veio pela boca do General Galvão de Melo, que repudiou o pedido dizendo que "o 25 de Abril não se fez para as prostitutas e os homossexuais o reivindicarem". Foi preciso esperar até 1982 para que o parlamento retirasse do Código Penal a criminalização da homossexualidade.

Passados trinta e seis anos sobre a Revolução dos Cravos, parece ainda haver quem, entre os Capitães de Abril, continue a achar que Galvão de Melo tinha razão e que talvez não fosse má ideia voltar atrás no tempo. Só assim se explica que um grupo de militares da Revolução traga a público uma carta aberta contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, afirmando que a alteração legislativa em causa é uma aberração ou que "os militares que fizeram o 25 de Abril foram pessoas que arriscaram toda a sua carreira por algo em que acreditavam". E é aqui que eles - os senhores capitães que assinaram a dita carta - deviam meter a mão na consciência e ganharem vergonha na cara.

O 25 de Abril produziu um regime democrático aberto, inclusivo, assente na dignidade humana e nos valores da igualdade e da liberdade. É isso, pelo menos, o que se entende por Democracia nos dias de hoje. Coisa bem diferente é fazer um regime à medida das convicções pessoais do/a sujeito/a A ou B, que é precisamente o que estes galvões parecem desejar quando se arrogam do seu estatuto de Capitães de Abril para dizerem que são contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, como se a Revolução dos Cravos não tivesse sido feita para os homossexuais.

Defender os que estes senhores defendem, na qualidade de militares de Abril e dando pleno verbo à sua homofobia, tem tanto de justo e lógico como um capitão de esquerda afirmar que a revolução não se fez para Portugal ser governado por partidos de direita ou um militar católico defender que o 25 de Abril não se fez para os judeus, os muçulmanos, os budistas ou os ateus. Por outras palavras, querer reduzir um regime aberto e inclusivo à diminuta capacidade de tolerância e compreensão destes galvões de hoje. Ó tempo, não voltes para trás...


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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Se choraram com o Milk...

... vão chorar muito mais com este:



Via o sítio da AMPLOS, onde também podem encontrar a reportagem de hoje da Revista Expresso, sobre adolescentes que saem do armário e os pais que os aceitam (ou não!).

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O snob LGBT

A respeito da edição de ontem do programa Linha da Frente e das palavras do Sérgio Vitorino sobre uma postura snob dentro do meio LGBT que acabou por afectar a Teresa e a Helena, volto a dizer que concordo com ele. Mas há que distinguir diferentes níveis de "snobismo" (esta palavra soa mal que se farta):

1. Há o sentimento de superioridade em relação ao outro por causa de coisas como o sotaque, a forma de andar, a aparência física, a roupa, o grau de instrução e etc. Isto é verdade para hetero e homossexuais, com a agravante de, para os últimos, poder ser mais uma chaga quando já se está ferido pelo medo, discriminação e preconceito.

2. Depois há pessoas que interiorizam o estereótipo ao ponto de fazerem dele uma auto-imagem voluntariamente projectada: o gay é alguém com estilo, requinte e bom gosto; é urbano, artístico e bem formado. Isto faz parte da imagem que muitos Portugueses têm de um homossexual e é também parte do próprio imaginário dentro da comunidade. Não quer dizer que não haja pessoas que sejam de facto cultas e cosmopolitas e que não tenham mérito nisso e no que fazem, mas há também aqueles que querem ser assim porque acham que é isso o que significa ser homossexual. E, por consequência, são esses os primeiros a apontar o dedo aos que, dentro do meio LGBT, não correspondem a esse padrão "popular": os provincianos, as sapatonas, os incultos, etc. Por vezes até como forma de rejeitarem aquilo que já foram ou não querem ser.

Quanto à falta de apoio associativo, também eu fiquei embasbacado com o que ouvi, mas não sei até que ponto as organizações LGBT portuguesas têm capacidade para fazerem mais do que "dar o peixe em vez de ensinar a pescar". Afinal, é conhecida a fragilidade da sociedade civil e do quão difícil é mobilizá-la, deficiências que se tornam gritantes quando estamos a falar de associações de uma minoria sexual ainda tão escondida.


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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A (re)ver

A edição de ontem do programa «Linha da Frente» merece ser vista e revista. Pela pertinência do tema e da sua relação com a dignidade numa sociedade que se quer livre e justa e pela exposição que faz da descarada homofobia de um país onde se chega a argumentar que o casamento não é necessário porque os direitos dos homossexuais já são respeitados. Pois... Só se for para os que vivem as suas relações afectivas dentro de um armário, escondidos como nos mais íntimos desejos de quem diz respeitar gays e lésbicas, mas opõe-se à igualdade plena na lei e na vida em sociedade. Porque é isso aquilo a que o artigo 13º se refere: não é o ser igual na privacidade de quatro paredes, mas na vida pública ou na interacção com a comunidade. Igualdade no trabalho, no acesso a bens e serviços e nas relações afectivas, incluindo o seu reconhecimento legal e manifestação pública.

O vídeo do programa pode ser visto aqui. E, a respeito do que diz o Sérgio - sobre a atitude snob dentro do próprio mundo gay - sim, é verdade! Já a senti na pele e já a vi atingir outros.


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Devaneios LGBT

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Para a semana, no Porto

É mais um a juntar a lista para o caso do senhor Cavaco querer argumentar que o debate está por fazer. No próximo dia 11 de Novembro, às 21h, vai realizar-se um debate sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, a ter lugar nas instalações do ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto), Rua Dr. António Bernardino de Almeida, 431. Para referência de quem não conhece bem a cidade, fica ao lado da estação de metro do IPO.

Estarão presentes:
- Representantes dos Partidos com assento Parlamentar;
- Sexólogo;
- Activista LGBT;
- Jurista;
- Representante da Igreja.

Actualizações e informações: www.ass-casa.org

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sábado, 24 de outubro de 2009

Prioridades

A Igreja Católica critica a entrada do casamento entre pessoas do mesmo sexo na agenda parlamentar e choca-se que tal aconteça quando há tantos problemas por resolver. Desemprego, pobreza, baixas qualificações, baixos salários, condições de vida e de trabalho precárias... males por atender é coisa que não falta neste país.

Só não se percebe é porque é que a Igreja não é coerente e não pede, nesse caso, o fim do campeonato de futebol, que ocupa tanto espaço nos jornais, telejornais energias e gastos das famílias no meio da presente crise. Ou porque é que a Conferência Episcopal Portugal não se insurge com a mesma veemência contra a abertura de telejornais com notícias sobre o Ronaldo, que há gente no desemprego e a passar sérias dificuldades - tantos problemas por resolver! - e andam as televisões a falar das pernas, da casa, do carro, da roupa, da carreira, do ordenado, da transferência, das namoradas e sei lá mais o quê do Ronaldo. Ou, já agora, porque é que a Igreja não pede o encerramento dos teatros e cinemas, que andamos a perder tempo com entretenimento diário quando há soluções para os nossos males à espera de serem encontradas e aplicadas.

O perigo do argumento das prioridades é que há sempre qualquer coisa que qualquer pessoa pode apontar como sendo mais premente. Certamente que haverá até quem acuse as missas de serem uma perda de tempo que podia ser aplicado na resolução dos nossos problemas. E é também um bom refúgio retórico quando já não se tem qualquer outro argumento contra uma coisa, neste caso contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, a falta de exercício mental da Igreja sobre o assunto está plasmada nas palavras de D. Januário Turgal, Bispo das Forças Armadas: "As pessoas que votaram sabiam a posição dos partidos. Agora quero é saber o que pensam os juristas sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo." Os juristas já discutem o assunto há vários anos; até já deu direito à publicação de pareceres. Aí está o verdadeiro problema da Igreja: não é o desemprego ou a pobreza, mas a noção legal de casamento.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

It's Sweden, baby!

Há uns anos atrás, a Igreja Sueca enviou uma delegação à Marcha do Orgulho LGBT de Estocolmo. Sim, leram bem: uma instituição religiosa participou naquele evento que, em Portugal, ainda desperta nojo e motiva rejeição em larga escala, a começar no seio da própria comunidade homo e bissexual. Não por lá a marcha ser uma coisa "limpa" e "séria", que são eufemismos para a ausência de bichas e travestis, mas porque na Suécia parece haver maior facilidade em compreender que a coisa é feita por quem participa e não por quem fica de fora a criticar: se não te sentes representado pela Marcha, faz-te representar e participa! E a Igreja Sueca parece ter percebido isso.

Em 2006, quando eu ainda estava por terras suecas, já se ouvia falar aqui e ali da possibilidade de serem abençoados casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo sem, no entanto, ser realizada uma cerimnónia de casamento de facto. Falei do assunto a uma sueca que morava comigo e ela puxa de uma história de família. Ela tinha um irmão mais novo - 16 ou 17 anos - que tinha assumido a sua homossexualidade perante a família uns anos antes. Dos pais nada de rejeição e, da parte do irmão mais novo, veio o gesto de meter o mano num guarda-roupa, fechar e abrir as portas e gritar: agora estás fora do armário! Pouco tempo depois, o rapaz decidiu afastar-se da paróquia local, em protesto contra a homofobia de algumas pessoas dentro da Igreja Sueca. A reacção? Os outros paroquianos convidaram-no a voltar e a expressar a sua sexualidade sem receios; que respeitavam a orientação dele e rejeitavam a discriminação defendida por outros. E nada disto com o intuito de o "curar", mas sim de o acolher como ele era, sem preconceitos.

Em 2009, a Igreja Sueca anuncia que vai realizar casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo. Surpresa? Para mim, nenhuma! A decisão já andava a ser preparada há algum tempo. É a afirmação da igualdade como um príncipio que não conhece fé, tal como não conhece raça ou sexo e o reconhecimento da dignidade pública das relações homossexuais no interior de uma das grandes religiões monoteístas, precisamente a origem de muita da oposição aos direitos dos homossexuais, bissexuais e transgéneros. É um marco, tal como foi a sagração de um bispo abertamente gay há uns anos atrás nos Estados Unidos da América.

O contraste entre nós e eles não podia ser maior. De um lado, aquele país nórdico onde até uma Igreja já acolhe sem "tibiezas" casais de pessoas do mesmo sexo; do outro, este Portugal há beira-mar plantado onde o casamento civil sem que o catolicismo meta o bedelho já é uma luta e pêras. Que sirva de lição a muitos: a Suécia, que também foi afectada pela crise económica e defronta-se com a necessidade de reforma do Estado Social, não acha que isso impeça avanços na agenda LGBT. Nem é um país à beira do colapso social ou civilizacional por reconhecer a dignidade pública dos homossexuais. A Suécia, que é uma monarquia com um governo de direita, dá lições de igualdade a um Portugal republicano com um governo socialista. Que saudades das terras suecas!


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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A igualdade também passa por Alcobaça



A igualdade de acesso ao casamento civil, necessariamente ligada à dignidade pública da homossexualidade e ao combate à homofobia, não é nem pode nunca ser uma causa de uma minoria urbana das grandes cidades. Deve, isso sim, ser uma causa nacional que diz respeito a todos os cidadãos, sejam eles de que orientação sexual forem, do mesmo modo que a luta contra o racismo ou o sexismo são causas de todos nós, cidadãos, independentemente da raça ou do sexo. Assim, mais de cem quilómetros a norte de Lisboa também se discute publicamente o direito de duas pessoas do mesmo sexo a firmarem um contrato de casamento civil sem menosprezos ou tolerâncias mesquinhas de direitos cortados a meio ou de nomes diferentes.

Dia 31 de Outubro, sábado, no auditório da Biblioteca Municipal de Alcobaça, o MPI vai marcar presença como, de resto, tem marcado nos media locais e na Assembleia Municipal. Com a alteração do Código Civil no horizonte, que ninguém possa dizer que esta causa é elitista e urbana ou que o debate está por se fazer. O caminho para a igualdade faz-se caminhado e ele passa este mês por Alcobaça. Trilhem-no também, sejam vocês de que parte do país forem. E estejam presentes no dia 31, se possível.


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domingo, 9 de agosto de 2009

Não será: já é!

Sem lhe querer dar mais importância do que eventualmente terá, o que esta notícia faz é dar um exemplo que seria bom que se multiplicasse: Solange está grávida e vai ser mãe, mas a sua mulher não vai ter o mesmo estatuto. Ou vice-versa.

O artigo põe o dedo na ferida ao mostrar que, em Portugal, há já homossexuais que são pais e casais do mesmo sexo que têm filhos, mas como, aos olhos da lei, apenas um dos cônjuges tem um vínculo parental. E essa é talvez a melhor forma de acordar o país para a (ainda) dormente questão da adopção por homossexuais, porque mostra que a homoparentalidade não é uma hipótese futura à espera que a legislação mude: é já uma realidade presente a que falta reconhecimento legal.

A sociedade adiantou-se à lei e há que mostrá-lo para que se saiba que não se está a falar em abstrato, como se se tratasse de uma realidade distante e remota. E que quem ignora a questão, empurrando-a para as calendas gregas, está a limitar-se a assobiar para o lado. Até quando durará o atraso do Estado em relação à vida actual dos seus cidadãos?

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domingo, 26 de julho de 2009

O drama do colectivo

A respeito da entrada do Miguel nas listas de deputados do PS e da discussão que, sem surpresa, esse facto tem vindo a gerar (ver aqui, aqui, aqui e aqui, por exemplo), há uma pequena reflexão que anda a germinar na minha cabeça desde que soube da coisa.

Pessoalmente, não sei se teria feito o mesmo que o Miguel. Por muito que me agrade a ideia de os socialistas poderem vir a alterar o Código Civil na próxima legislatura, não esqueço que este é o PS das hesitações no combate à corrupção, dos Projectos (ditos) de Interesse Nacional, da recusa da cativação pública das mais-valias urbanísticas, do negócio dos contentores de Alcântara, do investimento desmesurado em rodovias em detrimento das ferrovias regionais e nacionais, da aposta cega nas grandes barragens e da paupérrima cultura democrática de quem acha que o papel dos cidadãos é calar e engolir a partir do momento em que há um programa de governo sufragado em eleições legislativas. Veja-se, por exemplo, os argumentos proferidos durante o auge dos protestos dos professores.

Isto é, no entanto, uma opinião minha e certamente que o Miguel terá a sua. A minha consciência impedir-me-ia de aceitar um lugar entre os deputados socialistas, a dele não. E digo isto sem qualquer vestígio de sarcasmo. Bom seria, aliás, que existissem deputados assumidamente homossexuais e defensores da causa em todos os grupos parlamentares.

Mas o drama nisto tudo - e é aqui que eu queria chegar - é o facto do nosso sistema político não permitir candidaturas livres e individuais à Assembleia da República (ou às municipais). É preciso formar um grupo ou ingressar num já existente, com a natural consequência de ficar tudo no mesmo saco e se acabar associado ao que esse mesmo grupo faz ou fez, independentemente do mérito individual de cada um dos seus membros. Por exigência do presente regime, o Miguel é forçado a associar-se ao melhor e ao pior de um partido para, nas suas próprias palavras, participar no Parlamento e contribuir um pouquinho que seja para a sua abertura à "sociedade civil". É certo que ele é independente, mas no boletim de voto não vai constar o nome dele; e vai ter que conduzir o delicado jogo de manter-se fiel à sua consciência individual num sistema que, na prática, obriga à sua dissolução no colectivo partidário. Nesse campo, não seria de espantar se o Miguel passasse por várias desilusões e muitas frustrações, obrigado a submeter a sua opinião individual aos ditames de um grupo.

Harvey Milk não precisou de ingressar em listas partidárias para entrar na vida política; nem sequer teve que passar pelo crivo de um aparelho político para se poder candidatar: bastou-lhe a sua vontade e o apoio de quem trabalhou com ele. Não teve, por outras palavras, que se confundir com um colectivo político e essa é a melhor forma de abrir o parlamento à sociedade civil: permitir que cada cidadão se apresente livre e individualmente perante os cidadãos e que seja eleito ou não segundo o seu mérito individual, não o de um grupo em que tenha que forçosamente ingressar e de cujo aval necessita.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O primeiro!

Independentemente do posicionamento ideológico de cada um de nós, das opiniões que tenhamos sobre este PS e da memória de 10 de Outubro, a entrada do Miguel num lugar elegível das listas socialistas não deixa de ser uma boa notícia:

Passados 35 anos sobre a Revolução de Abril e 27 desde a descriminalização da homossexualidade, Portugal vai finalmente ter o seu primeiro deputado assumidamente gay!

É já uma vitória, independentemente do nosso sentido de voto em Setembro próximo. A experiência até pode vir a ser uma desilusão, dadas as insuficiências e defeitos do nosso sistema político, mas está dado um passo que já tardava há muito e vamos finalmente poder ter uma voz declaradamente "nossa" num espaço que, até há bem pouco tempo, era dominado pela oposição do "outro". Que o exemplo frutifique dentro e fora de partidos, nos órgãos locais como nos nacionais!

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domingo, 28 de junho de 2009

40 anos!


Passam hoje exactamente quarenta anos sobre o dia em que eclodiram os motins que estão na origem movimento pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. Porque Stonewall foi sinónimo de poder de resposta, da recusa da humilhação e da capacidade de (re)acção. Ou, numa tradução da palavra inglesa "empowerment", foi a aquisição do poder de agir da comunidade LGBT: se, antes de 28 de Junho de 1969, a regra era calar e engolir as rusgas policiais humilhantes, naquela noite a acção de uns originou a resposta de outros. E a resposta dada então foi a que todos os anos se repete: orgulho! Não por se ser lésbica, gay, bissexual ou transgénero, mas por se enfrentar a discriminação. Orgulho da reacção à vergonha e à menorização, do afirmar-se uma identidade quando outros querem que ela seja escondida. E exigir a dignidade pública devida, que é aquela que o princípio da igualdade confere.

Quatro décadas depois, olhe-se para trás e recorde-se como tudo começou para trilharmos o caminho que ainda falta. Quarenta anos depois, mantenha-se o mote: a vergonha que me querem impor eu rejeito com orgulho!

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sábado, 20 de junho de 2009

Para hoje!

E as duas efemérides do dia são...



... a 10ª Marcha de Lisboa do Orgulho LGBT e a Véspera de Solstício de Verão. A primeira às 17:30 no Príncipe Real e a segunda com hora marcada para o pôr-do-sol, lá mais para as 20 e picos. Infelizmente, não posso estar nas duas ao mesmo tempo :( Valha o conforto de a luta da primeira também se fazer aqui em Alcobaça, atacando a homofobia da província na província!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Colecção Eleições 2009 #12

E passadas a eleições europeias de 2009, eis que ficam dois fantasmas: o do crescimento da esquerda à esquerda do PS e o da vitória do PSD. E as duas coisas vão mexer com temas LGBT. Porque a ascensão do Bloco dá força a um partido que sempre foi mais consistente em matéria de defesa da igualdade e porque o PS vai reforçar a luta contra a perda de votos para a sua esquerda com o argumento do regresso do PSD ao poder. E irá, quase de certeza, ameaçar com a possbilidade do Código Civil ficar por alterar na próxima legislatura por falta de uma maioria absoluta socialista ou devido a um governo de coligação PS-PSD. Se já o faziam antes das europeias...


O que nos coloca um dilema, se votar PS para travar o crescimento do PSD ou votar noutros que, pelo seu historial, mostram ser mais fidedignos em matéria de direitos LGBT. E a minha resposta é que mais vale votar em quem é crível segundo o critério dos próprios socialistas: no mesmo dia em que o PS acusou Manuela Ferreira Leite de não ter crediblidade por ter mudado de opinião sobre o TGV, José Sócrates propôs legalizar aquilo que o seu próprio partido tinha chumbado três meses antes com disciplina de voto imposta.

Nada nos garante que, mesmo com uma maioria absoluta, os socialistas não voltem a recuar por meros interesses político-partidários: se já antes nos escorraçaram com o argumento de que eram favor, mas votavam contra; se já antes encheram a boca com belos discursos e as ruas com bonitos cartazes para depois, no momento da verdade, darem o dito pelo não dito; se já antes não lhes bastou absterem-se ou darem liberdade de voto, mas acharam que a igualdade que o PS diz defender tinha que ser adiada com o seu voto contra... o que é que nos garante que não voltamos a ser vítimas da mesma irracionalidade e mentalidade da vitória a todo o custo, mesmo contra a consciência e o mínimo de integridade? E não estariamos nós a ceder precisamente isso se fossemos dar votos em quem contra nós votou? Agimos por convicção ou por medo de um regresso ao poder do PSD? Somos joguetes sem força própria prontos a sermos usados pelos aparelhos partidários? Ou seremos capazes de nas urnas apoiar quem nos tem coerentemente apoiado enquanto criamos uma base de apoio transversal a toda a sociedade civil?

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domingo, 7 de junho de 2009

Obrigado!



Eu - e julgo que o Max também - agradeço a todos os que participaram no primeiro Jantar da Blogosfera LGBT. Comida e bebida não faltou (até sobrou!), gargalhadas também não e foi bom ver pessoas que antes eram só nicks. E que certamente iremos rever. Por entre os laços criados, espera-se que coisas boas venham a nascer.

Obrigado!

domingo, 31 de maio de 2009

Igualdade e Dignidade!


Hoje, dia 31 de Maio, foi publicamente apresentado em Lisboa o manifesto do MPI, já subscrito por cerca de mil pessoas. Passo a citar a introdução:

A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.

O texto na íntegra pode ser lido aqui e a subscrição pública está aberta neste endereço. É assinar, é assinar, que quantos mais formos, mais pesamos na matemática eleitoral, logo, na legislativa.

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terça-feira, 19 de maio de 2009

Colecção Eleições 2009 #11

Com a Eurovisão ainda na memória, oiça-se a canção socialista para as eleições deste ano. É uma música apelativa, feita de discursos sobre a igualdade, do quanto choca e faz chorar o PS a discriminação de gays e lésbicas e de como o casamento civil é uma bandeira da "esquerda" democrática. A letra e voz é de José Sócrates, que é acompanhado pela banda dos jotinhas, os mesmos que não tocam o que quer que seja sem autorização do grande líder.

A cantiga socialista apela ao voto LGBT. A nova cantiga, aliás. Porque a velha era mais conservadora, feita da não-urgência da igualdade de acesso ao casamento civil, das dúvidas sobre o assunto, da necessidade de debate nacional e do chumbo com disciplina de voto imposta. E se três meses bastaram para mudar de opinião sem qualquer justificação racional para além da pura estratégia política, o que é que nos garante que, em nome do mesmo fim - o poder a todo o custo -, não iremos ser novamente atraiçoados por um Partido Socialista que já votou contra os direitos dos cidadãos LGBT com o argumento pacóvio de ser a favor, mas contra? Quanto vale a convicção da cantiga socialista para as eleições de 2009? Doze pontos ou muito menos?

O próximo número sai dia 7 de Junho, aqui e no Devaneios LGBT, e após o fecho das urnas.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Colecção Eleições 2009 #10

Ao décimo número da colecção, é hora de recordar a "modernidade" da "esquerda" socialista. E não é de qualquer forma que o PS é moderno. Não! Os socialistas estão na vanguarda da inovação ideológica, são o porta-estandarte de novos tempos de convicção e coerência políticas. Surpreendem pelo inesperado e deixam qualquer adversário confuso pela sua lógica insondável.


O PS é, de facto, a "esquerda moderna"! Tão "moderna" que desafia a mais elementar lógica parlamentar, votando contra o que ele próprio diz defender. Um dia hão-de ser escritos incontáveis tratados sobre o assunto. Haverá um tempo que será inscrita nos anais da política a história de um grupo de deputados que, mesmo dizendo-se favoráveis a uma proposta, não puderam votar livremente nela; de um grupesco parlamentar que, mesmo dizendo que o problema era a altura e não a proposta, foi incapaz de agir em consonância e abster-se na votação. Em vez disso, contra as suas próprias palavras e convicções, votou contra com disciplina de voto imposta. Como se aquilo que se propunha fosse uma violação dos mais elementares princípios da esquerda. E clamando sempre que era a favor apesar de votar contra. Ou contra apesar de se dizer a favor. Qualquer coisa do género...

Eis, então, uma reedição socialista do Sir Robin dos Monty Python: confrontado com a proposta de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo no passado dia 10 de Outubro, o PS fugiu com coragem, deu à sola com bravura e meteu o rabo entre as pernas com valentia. E eu não tenho o mais pequeno desejo de recompensar nas urnas tamanha façanha da "esquerda moderna" socialista.

O próximo número sai dia 19 de Maio, aqui e no Devaneios LGBT.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Tudo muito macho

O SUP, Sindicato Unificado da Polícia, quer que os novos estatutos da PSP garantam a não discriminação com base na orientação sexual, mais concretamente no artigo 8º, onde são determinados os deveres especiais do pessoal policial. E com o objectivo de não só erradicar situações em que a polícia impede a expressão pública de afectos entre cidadãos, como também de ajudar a eliminar a homofobia dentro das próprias forças da ordem. Situação, de resto, admitida pelo presidente do referido sindicato.

A proposta é bem vinda e certamente necessária. E a prová-lo estão as palavras de um responsável de um outro sindicato da polícia, António Ramos do SPP, que reagiu à notícia dizendo que não há homossexuais dentro das forças políciais. "É um mundo muito masculino" disse ele, como se masculinidade e homossexualidade fossem extremos opostos. Como se um gay fosse necessariamente uma pessoa efiminada ou como se o ser efiminado significasse a ausência imediata de capacidades para ingressar na polícia. Não tem a PSP elementos femininos a patrulhar as ruas? Ou as mulheres polícias têm que ser "machonas"? Já agora, o que diria o senhor António Ramos sobre lésbicas nas forças da ordem?

Se dúvidas houvesse quanto à necessidade de alteração dos estatutos da Polícia de Segurança Pública...

Adenda: Giro giro é ver os comentários no Público. Por entre pessoas que legitimamente se indignam com as palavras do mui macho e seguro da sua heterossexualidade António Ramos, há quem se choque com a possibilidade de qualquer dia a polícia vir a juntar-se ao Orgulho LGBT. A bem da saúde dessas pessoas, não vá o coração delas falhar, é melhor não lhes contar que na marcha de Estocolmo já participam representantes do exército sueco. E de uniforme! 0:]

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Blogosfera LGBT à mesa

No ano em que entrámos em força para a agenda política, com o debate sobre o casamento civil entre homossexuais a verter em força para a sociedade portuguesa, o Max e eu queremos juntar no mundo real quem tem pugnado pela igualdade de direitos através da comunidade virtual que é a blogosfera. Para celebrar o muito que já se caminhou e reunir forças para o muito que ainda falta; para unir vontades que se têm vindo a multiplicar e que vão ser precisas para as batalhas que nos esperam; ou, muito simplesmente, para pôr uma cara nos nomes com que temos vindo a assinar os nossos contributos escritos para uma luta comum.


No dia 6 de Junho, três semanas antes do Orgulho de 2009, queremos juntar a blogosfera LGBT à mesa. Em Lisboa e num restaurante ainda por definir, que isso vai depender do número de pessoas inscritas. Quem estiver interessado, deve enviar uma mensagem para dev.desintericos@gmail.com com o nome, nick e endereço do blogue. As inscrições estão abertas até dia 6 de Maio, altura em que eu ou o Max iremos enviar mensagens de correio a todos os interessados para confirmar presenças. Quem nessa altura não responder, será excluído da lista de inscritos. E a orientação sexual das pessoas é indiferente: basta que tenham um blogue onde tenham vindo a defender a igualdade de direitos. Comentadores e simpatizantes são, muito naturalmente, bem vindos!!

Adenda: O prazo para as inscrições foi adiado para dia 2 de Junho e o local do jantar vai ser no Centro LGBT de Lisboa. Quem estiver interessado em participar, deve enviar uma mensagem para o contacto electrónico deste blogue: penatespublici(arroba)gmail(ponto)com.