Não a Terra - embora ela também se mova - mas a sociedade civil portuguesa. Pode ser muitas vezes apática, acrítica, dependente de um paizinho que a alimente ou presa a espasmos de populismo, mas, de tempos a tempos, ela lá dá sinais de vida saudável.
No campo da política, prepara-se a criação de novas forças: o Partido da Liberdade, o Movimento Esperança Portugal, o Partido Respublica e Cidadania e o Movimento Mérito e Sociedade. Este último deverá constituir-se formalmente como partido hoje mesmo, enquanto os restantes encontram-se ainda em fase de recolha de assinaturas (diz a RTP). Perante um espectro político tendencialmente bipolarizado, movido por vontades clientelares, mais interessado na forma do que no conteúdo e medíocre na abertura à sociedade civil, o aparecimento de novos partidos políticos não pode deixar de ser visto como um sinal de alguma saúde democrática. Para quem estiver interessado, independentemente de concordar ou não com os programas propostos, pode contribuir com a sua assinatura imprimindo as fichas em PDF disponíveis nos sítios das novas formações políticas:
Movimento Esperança Portugal
Partido Respublica e Cidadania
Convém deixar claro que fazê-lo não é um acto de filiação em qualquer uma delas, mas apenas um registo de apoio suficiente para se poderem constituir legalmente como forças políticas. Existe ainda o Movimento Liberal Social, de momento sem planos imediatos para se converter num partido político, embora esse seja um objectivo a longo prazo.
Já no campo da religião, de registar a criação anunciada da Associação Ateísta Portuguesa (mais informações aqui). Desconheço se já existia (ou existiu) alguma organização do género em Portugal, mas a fundação da AAA é uma adição bem vinda a uma sociedade civil que se quer dinâmica e uma cidadania que deve ser consciente. Liberdade religiosa não é só o direito a escolher e praticar livremente uma religião, é também o direito de decidir não ter uma.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Ela move-se
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Héliocoptero
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Etiquetas: Ateísmo, Democracia, Partidos políticos
domingo, 16 de março de 2008
Do ateísmo militante
Ou como o missionarismo ateu consegue ser um espelho do fundamentalismo religioso. Nada de muito surpreendente quando se faz uma leitura frequente do que aqui se escreve e se constanta o elevado grau de generalizações grosseiras e de proselitismo ao nível do melhor tele-evangelista. O ateísmo militante que reduz a vivência humana a um conjunto de dados científicos, que vê no fenómeno religioso um veneno a ser eliminado e que procura remeter as práticas religiosas para uma privacidade das quatros paredes assemelha-se em muito ao fundamentalismo que vê num livro sagrado a única lei, toma toda e qualquer outra crença como concorrência a abater e dá forma à intolerância de Estados teocráticos que remetem crenças não-oficiais para o esconderijo da vida privada.
A ler The atheist delusion, artigo a que cheguei via De Rerum Natura. Aqui fica uma amostra para abrir o apetite à massa cinzenta:
Zealous atheism renews some of the worst features of Christianity and Islam. Just as much as these religions, it is a project of universal conversion. Evangelical atheists never doubt that human life can be transformed if everyone accepts their view of things, and they are certain that one way of living - their own, suitably embellished - is right for everybody. To be sure, atheism need not be a missionary creed of this kind. It is entirely reasonable to have no religious beliefs, and yet be friendly to religion. It is a funny sort of humanism that condemns an impulse that is peculiarly human. Yet that is what evangelical atheists do when they demonise religion.
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Héliocoptero
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