É mais um a juntar a lista para o caso do senhor Cavaco querer argumentar que o debate está por fazer. No próximo dia 11 de Novembro, às 21h, vai realizar-se um debate sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, a ter lugar nas instalações do ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto), Rua Dr. António Bernardino de Almeida, 431. Para referência de quem não conhece bem a cidade, fica ao lado da estação de metro do IPO.
Estarão presentes:
- Representantes dos Partidos com assento Parlamentar;
- Sexólogo;
- Activista LGBT;
- Jurista;
- Representante da Igreja.
Actualizações e informações: www.ass-casa.org
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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Para a semana, no Porto
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sábado, 31 de Outubro de 2009
Das coisas wiccanescas deste dia
Já que estamos no Dia das Bruxas e este é um blogue pagão, não é má ideia deixar aqui três breves notas sobre a celebração pré-cristã para esclarecimento dos curiosos ou dos que, tendo acesso a literatura wiccan e afins, acaba por absorver informação que deixa muito a desejar no rigor histórico.
1. O popularmente chamado Halloween terá, tanto quanto se sabe, raízes no celta Samhain, o festival que marcava o final do verão e o início da estação escura, porque menos abundante em luz solar. E friso a natureza celta da coisa: qualquer ideia de que os nórdicos também celebravam o Samhain é puro engano. Trata-se de uma falácia derivada da suposição - também ela errada - de que o calendário wiccan de oito festivais era uma coisa comum a todas as religiões pré-cristãs europeias. Os únicos povos germânicos que poderão ter celebrado o Samhain foram as tribos nos limites do mundo romano - onde a distinção entre celta e germânico era naturalmente mais diluída - e os anglos, jutos e saxões que migraram para as Ilhas Britânicas, situação que podia ter permitido um cruzamento de tradições. No resto do norte da Europa indo-europeia, conhece-se apenas a celebração das Noites de Inverno, já num contexto cultural diferente e com outros elementos associados.
2. A datação fixa do Samhain na noite de 31 de Outubro é resultado da adopção do calendário romano e do próprio processo de cristianização. A data do festival pré-cristão seria determinada pelo ciclo lunar e/ou pelo comportamentos animal (como as migrações, por exemplo), o que quer dizer que, na actual organização do nosso tempo, o Samhain original tanto podia calhar em meados de Outubro como um mês depois.
3. Correndo o risco de dizer o óbvio, a abóbora não fazia parte das tradições pré-cristãs associadas ao Samhain. Não porque houvesse algum tabu sobre a coisa, mas porque, pura e simplesmente, é um fruto oriundo do continente americano, o que quer dizer que foi preciso esperar pela colonização europeia da América do Norte no século XVI para as primeiras abóboras chegarem ao continente europeu. Os celtas não faziam os "Jack-o-Lanterns" dos nossos dias.
Dito isto, um bom Halloween para todos :)
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sábado, 24 de Outubro de 2009
Prioridades
A Igreja Católica critica a entrada do casamento entre pessoas do mesmo sexo na agenda parlamentar e choca-se que tal aconteça quando há tantos problemas por resolver. Desemprego, pobreza, baixas qualificações, baixos salários, condições de vida e de trabalho precárias... males por atender é coisa que não falta neste país.
Só não se percebe é porque é que a Igreja não é coerente e não pede, nesse caso, o fim do campeonato de futebol, que ocupa tanto espaço nos jornais, telejornais energias e gastos das famílias no meio da presente crise. Ou porque é que a Conferência Episcopal Portugal não se insurge com a mesma veemência contra a abertura de telejornais com notícias sobre o Ronaldo, que há gente no desemprego e a passar sérias dificuldades - tantos problemas por resolver! - e andam as televisões a falar das pernas, da casa, do carro, da roupa, da carreira, do ordenado, da transferência, das namoradas e sei lá mais o quê do Ronaldo. Ou, já agora, porque é que a Igreja não pede o encerramento dos teatros e cinemas, que andamos a perder tempo com entretenimento diário quando há soluções para os nossos males à espera de serem encontradas e aplicadas.
O perigo do argumento das prioridades é que há sempre qualquer coisa que qualquer pessoa pode apontar como sendo mais premente. Certamente que haverá até quem acuse as missas de serem uma perda de tempo que podia ser aplicado na resolução dos nossos problemas. E é também um bom refúgio retórico quando já não se tem qualquer outro argumento contra uma coisa, neste caso contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, a falta de exercício mental da Igreja sobre o assunto está plasmada nas palavras de D. Januário Turgal, Bispo das Forças Armadas: "As pessoas que votaram sabiam a posição dos partidos. Agora quero é saber o que pensam os juristas sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo." Os juristas já discutem o assunto há vários anos; até já deu direito à publicação de pareceres. Aí está o verdadeiro problema da Igreja: não é o desemprego ou a pobreza, mas a noção legal de casamento.
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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
It's Sweden, baby!
Há uns anos atrás, a Igreja Sueca enviou uma delegação à Marcha do Orgulho LGBT de Estocolmo. Sim, leram bem: uma instituição religiosa participou naquele evento que, em Portugal, ainda desperta nojo e motiva rejeição em larga escala, a começar no seio da própria comunidade homo e bissexual. Não por lá a marcha ser uma coisa "limpa" e "séria", que são eufemismos para a ausência de bichas e travestis, mas porque na Suécia parece haver maior facilidade em compreender que a coisa é feita por quem participa e não por quem fica de fora a criticar: se não te sentes representado pela Marcha, faz-te representar e participa! E a Igreja Sueca parece ter percebido isso.
Em 2006, quando eu ainda estava por terras suecas, já se ouvia falar aqui e ali da possibilidade de serem abençoados casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo sem, no entanto, ser realizada uma cerimnónia de casamento de facto. Falei do assunto a uma sueca que morava comigo e ela puxa de uma história de família. Ela tinha um irmão mais novo - 16 ou 17 anos - que tinha assumido a sua homossexualidade perante a família uns anos antes. Dos pais nada de rejeição e, da parte do irmão mais novo, veio o gesto de meter o mano num guarda-roupa, fechar e abrir as portas e gritar: agora estás fora do armário! Pouco tempo depois, o rapaz decidiu afastar-se da paróquia local, em protesto contra a homofobia de algumas pessoas dentro da Igreja Sueca. A reacção? Os outros paroquianos convidaram-no a voltar e a expressar a sua sexualidade sem receios; que respeitavam a orientação dele e rejeitavam a discriminação defendida por outros. E nada disto com o intuito de o "curar", mas sim de o acolher como ele era, sem preconceitos.
Em 2009, a Igreja Sueca anuncia que vai realizar casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo. Surpresa? Para mim, nenhuma! A decisão já andava a ser preparada há algum tempo. É a afirmação da igualdade como um príncipio que não conhece fé, tal como não conhece raça ou sexo e o reconhecimento da dignidade pública das relações homossexuais no interior de uma das grandes religiões monoteístas, precisamente a origem de muita da oposição aos direitos dos homossexuais, bissexuais e transgéneros. É um marco, tal como foi a sagração de um bispo abertamente gay há uns anos atrás nos Estados Unidos da América.
O contraste entre nós e eles não podia ser maior. De um lado, aquele país nórdico onde até uma Igreja já acolhe sem "tibiezas" casais de pessoas do mesmo sexo; do outro, este Portugal há beira-mar plantado onde o casamento civil sem que o catolicismo meta o bedelho já é uma luta e pêras. Que sirva de lição a muitos: a Suécia, que também foi afectada pela crise económica e defronta-se com a necessidade de reforma do Estado Social, não acha que isso impeça avanços na agenda LGBT. Nem é um país à beira do colapso social ou civilizacional por reconhecer a dignidade pública dos homossexuais. A Suécia, que é uma monarquia com um governo de direita, dá lições de igualdade a um Portugal republicano com um governo socialista. Que saudades das terras suecas!
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quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Ainda sobre Saramago
Tem alguma (triste) piada ver como a discussão em torno das declarações de José Saramago são encaradas por muita gente como uma questão de clubes: se se é ateu, acha-se que ele tem razão; se se é católico (ou judeu ou muçulmano) acha-se que ele está errado e é ofensivo. Como se não houvesse verdade e mentira nos argumentos de ambos os lados, como se a Bíblia fosse toda ela um livro de horrores ou toda ela um mar de rosas com muita paz e amor. Muito simplesmente, como se a realidade fosse preta ou branca e o critério de verdade estivesse não em palavras e actos, mas na mera militância em grupos.
Talvez seja um sintoma da nossa pequenez mental e da nossa incapacidade em pensar e falar das coisas sem ser de uma forma clubística. País do futebol, sem dúvida! Assim não há debate elevado ou honestidade intelectual que aguentem.
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Ai esse fel...
Sobre esta entrevista a José Saramago - que continua a dar muito que falar - é-me impossível lê-la e não achar que é de uma pobreza aflitiva.
O raciocínio é desconexo e os argumentos são primários, mais parecendo uma colagem de clichés sobre a Bíblia. Que foi escrita durante mil anos, que a mente por detrás da coisa foi um deus cruel, invejoso e insuportável, que as Cruzadas foram um crime do Cristianismo e um exemplo de violência em nome de uma religião, puxa de Kung para dizer que as religiões afastam os homens e gosta de sugerir uma reforma penal do Inferno, que dizem que o castigo lá é eterno e, nós por cá, limitamo-nos a uns anos de prisão seguidos de reintegração na comunidade. Termina como uma nota à Nuno Lopes e pergunta porque é que Deus não vai trabalhar e fazer algo de útil para a sociedade, que o sacana não fez nada desde que se meteu a descansar no sétimo dia.
Saramago tem pleno direito de ser ateu e de argumentar como tal, mas não lhe ficava nada mal se o fizesse com menos rancor e mais racionalidade. Porque, bem vistas as coisas, há formas mais edificantes do que dizer que a Bíblia é um livro em muito desajustado da sociedade actual do que afirmar simplesmente que foi escrita durante um milénio, sem precisar, sem especificar, sem mostrar qualquer cnhecimento da coisa e pondo tudo no mesmo saco meramente com base num critério de idade. Já às Cruzadas, conjunto de guerras certamente deploráveis, facilmente se pode contrapor outros crimes hediondos e até bem mais recentes onde a motivação não foi religiosa, mas sim política ou etnica: as purgas soviéticas, as perseguições motivadas pelas crenças firmes da Revolução Cultural Chinesa ou o genocídio no Ruanda. Em nenhum destes casos houve uma classe sacerdotal a pregar guerra santa, mas todos eles mostram que qualquer ideologia, seja ela de que tipo for, pode gerar crimes hediondos. E se Hans Kung diz que as religiões afastam os homens, a História também tem exemplos do contrário; aliás, a História tem exemplos para tudo e é muito fácil chegar a determinadas conclusões quando se aponta o holofante para uns casos e se empurra outros para debaixo do tapete. As Cruzadas foram palco de inúmeros crimes? Sim! O cristianismo segregou populações inteiras - judeus e muçulmanos, nomeadamente - criando guetos dentro de cidades e sociedades inteiras? Sem dúvida! Mas também foi a Igreja a única a insituição que conseguiu ser um factor de unidade quando a autoridade imperial romana desvanecia e a Europa fragmentava-se em pequenos reinos.
E Saramago até pode achar que Deus é uma inutilidade - e é livre de pensar assim - mas convém que tenha um pouco de honestidade intelectual. Porque se está a falar de uma narrativa religiosa que é a Bíblia e pergunta o que fez Deus depois de descansar ao sétimo dia, das duas uma: ou o Nobel da Literatura é ignorante ou gosta de fingir que é. Senão pensemos no Dilúvio, no Exôdo, na conquista da Palestina e na própria vinda de Cristo. Independentemente de se ser ou não cristão, dentro da narrativa religiosa judaico-cristã o que não faltam são histórias de intervenção divina.
Se Saramago quer fazer humor, que o faça; se tem certas crenças ou opiniões e deseja manifestá-las publicamente, está no seu direito; se quer argumentar sobre alguma coisa, está à vontade. Mas é bom que o faça sem leviandades, desonestidade intelectual ou preconceitos que o põem ao mesmo nível de muita gente da alta hierarquia da Igreja Católica. Os extremos tocam-se, de facto...
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terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Coisas de não-praticantes
Pior que um escritor que fala sobre um assunto com uma pobreza congrangedora de argumentos e do fundo dos seus rancores, só mesmo um deputado que defende a perda de cidadania por delito de opinião.
Mário David, representante nacional no Parlamento Europeu eleito pelo PSD, exortou José Saramago a prescindir do estatuto de cidadão português devido às declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia. Porquê? Porque, segundo o eurodeputado, "se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter."
Bom caractér define-se por acções, não pela mera militância em grupos, sejam eles políticos ou religiosos. O que quer dizer que, do mesmo modo que as palavras de Saramago revelam ignorância e inconsciência das coisas, as de Mário David reflectem a intolerância de quem acha que a manifestação de diferença de crenças - mesmo que intelectualmente pobre - é motivo para a perda de cidadania. Um ateu não é uma pessoa de bom caractér só por ser ateu; um homem religioso também não só por ter fé numa ou mais divindades. José Saramago não ficou bem na fotografia e Mário David também não; mais valia que o primeiro se tivesse limitado a falar do seu livro e o segundo tivesse ficado calado. Estranhamente, os dois extremos parecem tocar-se: à ignorância de quem fala de coisas que obviamente não conhece - ou finge não conhecer - responde a ignorância de quem diz não ter lido nem ter intenções de ler o livro de Saramago.
Para pôr isto noutros termos, não basta afirmar que se é crente: há que praticar! Alguém que diga isto ao "nem sequer sou católico praticante" eurodeputado Mário David. Ou ele pratica ou não pratica: se não pratica, não é católico. Um pouco como o bom caractér, não basta dizer que se milita num grupo: há que verter as palavras em acções. E os dois senhores deram provas de demérito e de caractér que deixam algo a desejar.
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quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
Um momento de (falta de) rigor
Leio a edição online do Diário de Notícias e dou com o seguinte título: Tribunal ilibou militar que filmou orgia com telemóvel. Pensei tratar-se de um escândalo à imagem e semelhança do das festas na embaixada americana no Afeganistão, mas, para minha desilusão, não era.
Parece que a "orgia" do DN tinha apenas duas pessoas e uma terceira a filmar. Uma multidão em êxtase, sem dúvida, num total de quatro mãos e quatro pés que qualquer um deixava de conseguir identificar os donos no meio da confusão de corpos que são duas pessoas a terem sexo. Isto já para não falar do coitado que estava de telemóvel em punho e que certamente terá sofrido bastante ao não saber onde carregar ou agarrar. Que emaranhado! Que orgia de dedos, pernas e botões!
Ou o Diário de Notícias anda a ganhar tiques sensacionalistas à Correio da Manhã ou começou a contratar virgens de quarenta anos acabados de sair de um qualquer seminário católico, para quem qualquer aventura sexual constitui uma medonha "orgia". E o jornalista em causa ainda acrescenta que os três militares resolveram alugar um quarto para praticar sexo. Dado que o aluguer se refere a bens móveis - os que se pode mover de um lado para o outro, portanto - a única conclusão possível é que a orgia teve lugar numa rulote ou numa tenda...
P.S.: O Dr. Maybe teria provavelmente qualquer coisa a dizer sobre isto.
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quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
A igualdade também passa por Alcobaça
A igualdade de acesso ao casamento civil, necessariamente ligada à dignidade pública da homossexualidade e ao combate à homofobia, não é nem pode nunca ser uma causa de uma minoria urbana das grandes cidades. Deve, isso sim, ser uma causa nacional que diz respeito a todos os cidadãos, sejam eles de que orientação sexual forem, do mesmo modo que a luta contra o racismo ou o sexismo são causas de todos nós, cidadãos, independentemente da raça ou do sexo. Assim, mais de cem quilómetros a norte de Lisboa também se discute publicamente o direito de duas pessoas do mesmo sexo a firmarem um contrato de casamento civil sem menosprezos ou tolerâncias mesquinhas de direitos cortados a meio ou de nomes diferentes.
Dia 31 de Outubro, sábado, no auditório da Biblioteca Municipal de Alcobaça, o MPI vai marcar presença como, de resto, tem marcado nos media locais e na Assembleia Municipal. Com a alteração do Código Civil no horizonte, que ninguém possa dizer que esta causa é elitista e urbana ou que o debate está por se fazer. O caminho para a igualdade faz-se caminhado e ele passa este mês por Alcobaça. Trilhem-no também, sejam vocês de que parte do país forem. E estejam presentes no dia 31, se possível.
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quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Os Olímpicos vão ao cinema
Percy Jackson e os Olímpicos é a história de um rapaz problemático dos nossos dias que, a dada altura, descobre que é filho do deus grego Posídon. E não está sozinho: há outros como ele e o mundo continua a ser habitado (ou visitado) por deuses, deusas, ninfas, sátiros, ciclopes e titãs. Uma viagem moderna ao mundo da mitologia grega pela mão de Rick Riordan.
A partir de Fevereiro de 2010, para além de ler, também vai ser possível ver as aventuras de Percy Jackson no grande ecrã. Chris Columbus, realizador dos dois primeiros filmes de Harry Potter, deve-lhe ter tomado o gosto e continuou num género semelhante. Fiquem com a primeira trailler em jeito de abrir o apetite:
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terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Pagãos portugueses: ao censo!
Há 20 anos atrás, foi feito um censo pagão nos Estados Unidos que originou a publicação deste livro - Voices from the Pagan Census. O estudo foi limitado, não só por se resumir a um âmbito nacional americano, mas também por falta de instrumentos como a internet. Isso e o facto de ter tido um ênfase fortemente wiccan.
Duas décadas depois, o censo é internacional, está online e houve uma tentativa de o alargar a todos os ramos, correntes e grupos de neopagãos. Ainda com falhas, é certo, que, por exemplo, o documento não lista os reconstrucionismos celta ou romano, mas deixa espaço para que cada um possa acrescentar a sua filiação religiosa. E vai ser possível comparar os resultados actuais com os de há vinte anos - detectando padrões de mudança ou de estabilidade nos Estados Unidos - assim como ter, finalmente, uma ideia concreta do número de neopagãos no mundo, para lá de estimativas e hipóteses. Isto é, se a participação for grande, muito grande.
Assim, é com agrado que deixo aqui o meu apelo à participação de todos os que, em Portugal, sejam neopagãos. Ou, àqueles que não o são, que passem a palavra a quem seja. Algumas informações extra podem ser lidas neste blogue e o documento pode ser preenchido aqui. Ao censo, meus caros!
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De raízes no poder
Causa náuseas ouvir José Sócrates dizer, como no debate de hoje e com um ar paternalista, que já outros tentaram substituir o PS e falharam. Não porque não seja legítimo que um partido lute pela sua existência (ou sobrevivência), mas porque a democracia pressupõe a renovação de forças e intervenientes.
O poder nunca pode ser uma certeza: tem que ser algo que se mereça e se perca inevitavelmente! E, se não se lutar e trabalhar para o merecer, um partido deve ser despromovido pela perda de eleitores e, no extremo, deixar de existir. Achar que se é inamovível ou indestrutível é pensar que se tem alguma forma de direito histórico ao poder. Ou, nas palavras de um "ilustre" senhor, dizer que o Partido Socialista resiste a tudo - até à desejável e democraticamente natural renovação política - é apenas outra forma de afirmar que, quem se mete com o PS, leva! Não há democracia que aguente com gente desta.
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segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Liberdade Unidireccional
Manuela Ferreira Leite diz que não há asfixia democrática na Madeira e ilustra com o facto de, em terras de Alberto João Jardim, os jornais serem verdadeiramente livres para criticarem do Governo do país. Pena é que a dita senhora não se tenha referido à (falta) de liberdade dos media madeirenses para fazerem exactamente o mesmo ao governo regional ou a um executivo nacional do PSD.
A líder social-democrata tem uma ideia muito parcial da liberdade de expressão. Acha que ela corresponde ao direito de ter uma opinião crítica sobre o Partido Socialista e só sobre o Partido Socialista. Vá lá, quando sobre todos os partidos que não o PSD. Alguém havia de explicar a Manuela Ferreira Leite que a liberdade de exprimir publicamente pontos de vista é, por assim dizer, multidireccional: serve para ser usada por todos, inclusive para criticar o governo regional do PSD. E é aí que a coisa escasseia na Madeira.
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Que nem a morte o impeça!
No casamento com determinada noção de família, perspectiva-se a existência de filhos; nas uniões com outras características não se perspectiva a existência de filhos.
As palavras são de Manuela Ferreira Leite no debate desta noite com Francisco Louçã. Ficámos, por isso, todos a saber que a presidente do PSD considera que a necrofilia produz descendência. Só assim se entende que ela continue a sustentar que o casamento tem, nem que seja como hipótese, a procriação como finalidade última, dado que o Código Civil, nos artigos 1622º a 1624º, prevê a realização de casamentos com carácter de urgência quando um dos cônjuges se encontra à beira da morte e não sendo motivo para a sua não-homologação que o falecimento ocorra momentos depois. As únicas conclusões possíveis são que Manuela Ferreira Leite acha que sexo com mortos permite a procriação ou que os recém casados de urgência devem ter uma rapidinha antes que um deles expire.
Ou isso ou teremos que ler nas entrelinhas que o PSD pretende eliminar os casamentos urgentes do Código Civil, a bem do conceito desactualizado da sua presidente.
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sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
São 624 anos, apesar dos mitos

Não foram apenas portugueses que lutaram do nosso lado, mas também ingleses; e, do outro lado, não estavam apenas castelhanos, mas também franceses e outros portugueses, incluindo um irmão de Nuno Álvares Pereira. Também não terá havido nenhum quadrado e a única altura da batalha em que a formação do exército português teve uma forma próxima da quadrangular foi quando os flancos recuaram e D. João I avançou para fechar o grupo de castelhanos que tinham conseguido romper a vanguarda nacional. E, para completar o trio de mitos, o exército castelhans até podia ser três vezes maior que o português, mas parte dele nunca chegou a lutar: já Juan I batia em retirada e uma boa parte das suas tropas ainda vinha a caminho de Leiria. O que quer dizer que a desproporção de números no campo de batalha não foi tão elevada quanto muitas vezes se conta.
Por isso, a vitória de Aljubarrota não teve os contornos prodigiosos com que a pintam já desde os dias de Fernão Lopes. Ainda assim, uma grande vitória e um testemunho de engenho e saber. Houve que escolher bem o lugar, preparar o terreno e planear com precisão que tropas iam ficar onde. E depois ter esperança naquele 14 de Agosto. Assim se fez o Portugal onde hoje falta o vigor da revolução de 1383.
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