terça-feira, 14 de abril de 2009

Tudo muito macho

O SUP, Sindicato Unificado da Polícia, quer que os novos estatutos da PSP garantam a não discriminação com base na orientação sexual, mais concretamente no artigo 8º, onde são determinados os deveres especiais do pessoal policial. E com o objectivo de não só erradicar situações em que a polícia impede a expressão pública de afectos entre cidadãos, como também de ajudar a eliminar a homofobia dentro das próprias forças da ordem. Situação, de resto, admitida pelo presidente do referido sindicato.

A proposta é bem vinda e certamente necessária. E a prová-lo estão as palavras de um responsável de um outro sindicato da polícia, António Ramos do SPP, que reagiu à notícia dizendo que não há homossexuais dentro das forças políciais. "É um mundo muito masculino" disse ele, como se masculinidade e homossexualidade fossem extremos opostos. Como se um gay fosse necessariamente uma pessoa efiminada ou como se o ser efiminado significasse a ausência imediata de capacidades para ingressar na polícia. Não tem a PSP elementos femininos a patrulhar as ruas? Ou as mulheres polícias têm que ser "machonas"? Já agora, o que diria o senhor António Ramos sobre lésbicas nas forças da ordem?

Se dúvidas houvesse quanto à necessidade de alteração dos estatutos da Polícia de Segurança Pública...

Adenda: Giro giro é ver os comentários no Público. Por entre pessoas que legitimamente se indignam com as palavras do mui macho e seguro da sua heterossexualidade António Ramos, há quem se choque com a possibilidade de qualquer dia a polícia vir a juntar-se ao Orgulho LGBT. A bem da saúde dessas pessoas, não vá o coração delas falhar, é melhor não lhes contar que na marcha de Estocolmo já participam representantes do exército sueco. E de uniforme! 0:]

Publicado em simultâneo no Devaneios LGBT

4 comentários:

Anónimo disse...

como se o Batalhão Sagrado, em regra de 150 casais de homens, o exército de Tebas em tempo de guerra e a polícia em tempo normal, não fossem os mais machos de todos, pergunte-se a Epaminondas que derrotou o exército de Esparta,

z

tenho aqui uma coisa para ti:

De facto desde 1160 e nos documentos desde 1234 foi instituída a reserva pontifícia do direito de canonização (p.297)


A partir dos decretos de Urbano VIII de 1625 e de 1634, a santidade de um homem ou de uma mulher não podia ser ratificada pelo papa se não fosse garantido que nunca antes tinham sido objecto de culto público (p.298)

Enciclopédia Einaudi, vol.12

Héliocoptero disse...

O que os gregos antigos nos podiam contar sobre virtudes guerreiras e homossexualidade. Basta pensar em Alexandre Magno ou o seu modelo mítico, Aquiles.

Quanto ao processo de canonização, tinha uma noção que tinha sido alterado nos século XII e XIII desde que li que, em Lisboa, chegou-se a prestar culto a um cavaleiro germânico que participou na conquista da cidade em 1147, mas que nunca foi oficialmente santo, pese embora o processo pudesse ter sido levado a cabo localmente.

Al-Ma'dan disse...

Caro Hélio,
Não tem nada a ver com o tema dos post, mas descobri na semana passada um escritor americano excelente chamado Tom Spanbauer, num livro com título em português de Agora ou Nunca, original Now is the Hour.
Creio que é o único livro deste autor traduzido para português. A história está muito bem contada, e trata no fundo do relato de como um miúdo de 17 anos, em 1967, no Idaho (USA) descobre a sua homossexualidade, o que nos leva às lágrimas. É além disso um libelo contra a educação religiosa e castradora da sexualidade, e contra o racismo: os pretos, os mexicanos e os índios, a outra metade, como os descreve o pai do narrador e protagonista da história.
Se querem um conselho é um livro a não perder. Passe a publicidade é da Bizâncio e está em promoção.
Além do tema o tipo de escrita posso descrevê-la como uma prosa poética.
Julgo ser uma autor a descobrir.
Onares

Anónimo disse...

o que eu achei interessante foi como o papado procurou retirar ao povo qualquer hipótese de promoção dos seus santos, primeiro com a introdução da reserva pontificia e depois como podes ler só podia ir a santo quem Não tivesse sido objecto de culto popular, desencorajando qualquer iniciativa nesse sentido, sempre a oligarquia a tentar controlar as massas,

é muito bom este volume da EE sobre o Mythos/Logos&Sagrado/Profano