segunda-feira, 26 de maio de 2008

O pato-bravo de Ílhavo

Na Praia da Barra, no concelho de Ílhavo, autarquia presidida por Ribau Esteves, a limpeza do passadiço de madeira foi feita com recurso a uma grua. Uma biológa da Universidade de Aveiro, confrontada com a destruição das dunas, não teve dúvidas em classificar a operação como um atentado ambiental. Por sua vez, Ribau Esteves, num exercício de douta ignorância, discorda e afirma que "é essencial para facilitar o acesso das pessoas à praia e que o ser humano também faz parte do ecossistema." Mais: diz até que é motivo de orgulho!

O argumento de Ribau Esteves é um óptimo sintoma do seu pato-bravismo e completa incapacidade de compreensão do tempo em que vive. Fala e pensa como um autarca terceiro-mundista com um estranho fetiche por máquinas grandes e pesadas que gosta de ver em capas de revista para sua satisfação visual e com a desculpa de que é "giro" enquanto metáfora. Não entende progresso sem a submissão do ambiente ao Homem, não vê obra para lá de qualquer coisa que lhe encha a vista e nem compreende que qualquer ecossistema saudável é feito de equilíbrios. Ora, equilíbrio é coisa que não existe quando se perturba algo tão frágil como um sistema dunar com a força bruta de uma grua para limpar um passadiço de madeira. O recurso ao trabalho manual com pouco mais do que pás para intervenções cuidadas e localizadas teria sido, isso sim, uma operação de limpeza equilibrada, respondendo-se à sensibilidade do local com uma operação igualmente sensível. Recorrer a maquinaria pesada cuja dimensão fá-la tudo menos minuciosa, mas que é motivo de orgulho e com o argumento de que o homem também é parte do ecossistema, é coisa de quem não vai além de raciocínios primários, alguém que disfarça a sua mentalidade ultrapassada com retórica ambientalista que por acaso leu numa qualquer publicação, não se sabe se na primeira página de um jornal, se nas páginas centrais de uma revista maquino-fetichista.

Com um autarca deste calibre, aparentemente fora do prazo de validade para a gestão da coisa pública actual, eu só veria motivo de orgulho na sua reforma antecipada e o mais depressa possível! Faço minhas as palavras de Hugo Morais, um leitor do Público que disse que "o problema não é o homem fazer parte do ecossistema. O problema é seres humanos como o sr. Ribau Esteves fazerem parte do ecossistema." Para quando um ecoponto para tamanhas personagens políticas?

2 comentários:

Yvonne disse...

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Héliocoptero disse...

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