quarta-feira, 23 de abril de 2008

E dura e dura e dura...


Hillary sobrevive para lutar mais uns meses e as primárias democratas continuam na mesma como a lesma. Ele parece um grego que bate bate contra as muralhas de Tróia, mas não entra nem por nada e arrasta-se num cerco interminável. Ela parece o cavaleiro negro do Santo Graal dos Monty Python, com cada vez menos membros e mesmo assim a insistir que pode ganhar nem que tenha que arrancar pernas à dentada. E é bem capaz de o fazer - as dentadas e não o vencer - a julgar pelo tom negativo dos últimos dias de campanha na Pensilvânia e que deverá continuar (ou piorar!) no Indiana. Os superdelegados hesitam, o sistema proporcional não vai criar nenhum vencedor nos próximos tempos, a Florida e o Michigan ameaçam prolongar ainda mais a corrida e McCain ri-se, ora porque continua num estranho estado de graça, ora porque os próprios democratas estão a enriquecê-lo com argumentos contra Obama ou Hillary.

Vai haver sangue no Partido Democrata, se não for agora será em Agosto ou Novembro, quando for altura de pedir contas pelo desgaste numa corrida presidencial que tinha tudo para ser uma grande derrota republicana.

4 comentários:

Igor disse...

Não achas estranho que os republicanos só ataquem Hillary e não digam nada a respeito de Obama? Mesmo quando ele tem no seu círculo de apoiantes políticos terroristas não arrependidos?.

Os republicanos são mestres na baixa política. Quando Obama ganhar (e vai ganhar) ele vai ser cilindrado pelos marketeiros republicanos. Vão ser escândalos atrás de escândalos.

Agora, Obama vai perder, mas não é por culpa de Hillary - é porque ele pensou que isto ía ser um mar de rosas.
Assim uma espécie de presunção neocon a respeito da invasão do Iraque em versão eleitoral.

Igor disse...

Ele tem sido levado ao colo pela imprensa para que possa vencer a "gaja" (que deve voltar para a cozinha, naturalmente) e para que depois os republicanos possam cilindrá-lo convenientemente.
É que a Hillary, tirando o handicap de ser mulher, já lançaram toda a lama que havia para lançar.

Héliocoptero disse...

Os republicanos têm atacado Obama, há vários meses que o fazem e até com maior frequência do que a Hillary.

Dúvido muito que Obama alguma tivesse pensado que a corrida ia ser um mar de rosas, ninguém que seja americano e que se dedique à política pensa alguma vez isso. A diferença está na dose de idealismo de cada um e Obama têm-no em grande quantidade.

Quanto ao "handicap" de Hillary, não é o ser mulher. Não mais, pelo menos, do que o de Obama ser negro. O problema de Hillary são as jogadas políticas que os Clinton durante anos usaram e que os deixaram muitas vezes ao pior nível dos republicanos. As primárias na Carolina do Norte foram um bom exemplo disso, tal como o insistir em contar os delegados do Michigan quando Hillary era o único nome nos boletins de voto ou o instigar do medo com os anúncios das três da manhã (inclusive o ridiculo atender de telefone a essa hora por causa da economia). Anos de jogadas do género deixaram a sua marca e não é por acaso que Hillary é vista por muitos como uma mulher fria, insensivel e capaz de fazer tudo para concretizar as suas ambições pessoais. Ela pode já ter levado com toda a lama, mas também já fez o mesmo a opositores seus. E está a fazê-lo novamente. Hillary há muito que polarizou os sentimentos à sua volta, é uma mulher que ou se ama, ou se odeia.

Caturo disse...

Ele tem sido levado ao colo pela imprensa para que possa vencer a "gaja" (que deve voltar para a cozinha, naturalmente) e para que depois os republicanos possam cilindrá-lo convenientemente.

Que grande e maquiavélica especulação, só para explicar porque é que a imprensa leva o negro ao colo... como se a imprensa estivesse toda controlada pela Direita, e não pela Esquerda... já agora, o apoio que a Esquerda europeia dá a Obama, também é controlada pelos republicanos?
A Esquerda gosta pura e simplesmente de exaltar as minorias raciais, é tão simples como isso. Perante tão «elevado» ideal, até o feminismo (bandeira que a Esquerda gosta de ostentar) passa para segundo plano...
Questão de prioridades ideológicas.