quinta-feira, 3 de julho de 2008

Arte não-tão-hetero

O guerreiro rei Carlos XII em trajes femininos, uma irmã que não lhe ficava atrás, um cortesão sueco retratado como uma mulher de túnica amarela e um mamilo sugestivo, dois homens de braço dado numa ilustração do século XIX e um enfoque genital numa pintura de São Sebastião. Não, não é um sonho molhado; é o conteúdo da mais recente exposição do Museu Nacional Sueco.



Queer: desejo, poder e identidade ou de como as normas sexuais são mutáveis e as elites suecas não se importavam de as transgredir. Ainda hoje não se importam de o fazer. Um bom prelúdio para a Marcha LGBT de Estocolmo e mais uma amostra de como Portugal está a milhas do à vontade escandinavo que faz do norte da Europa um sítio bem mais civilizado do que este antro de homofobia casamenteira que é Portugal. Nem ao trabalho de ler o Código Civil Português se dão as nossas orgulhosamente provincianas "elites"...

Publicado em simultâneo no Devaneios LGBT.

5 comentários:

Anónimo disse...

Caro Héliocoptero,
Outras realidades, outras mentalidades. Mas aqui em Portugal, acredito que, com o tempo, lá chegaremos.
E lenta, lentamente, vamos tendo alguns ganhos civilizacionais: tivemos a legalização da IVG, que eu pessoalmente não defendo, mas defendo, isso sim, que cada um, neste caso cada uma, tenha liberdade de opção e, teremos outras certamente. Mas, temos de dar tempo a que as mentalidades cresçam e amadureçam. Inevitavelmente, mais cedo que tarde, virá a legalização da união entre indivíduos do mesmo sexo e por aí fora.
É só uma questão de tempo.
Continue a defender as suas convicções.
Fique bem.

Pedro Fontela disse...

Desta senhora já esperava isto... aliás todo o PSD tresanda a este mofo de 1950...

Quanto À questão do tempo: é sempre a mesma desculpa, sacrifiquem os vosso direitos em troca de um hipotético futuro dourado. Esperem sentados que vão ver o que acontece...

Héliocoptero disse...

Faço minhas as tuas palavras, Pedro, mas acrescento uma coisa.

O PSD que tanto enche a boca com a memória de Sá Carneiro esquece-se que ele próprio deu o exemplo de uma vida conjugal não-matrimonial ao viver em união de facto com uma mulher escandinava. Foi um modo de vida que lhe trouxe dissabores e as críticas dos conservadores portugueses; hoje, Sá Carneiro seria capaz de passar pelo mesmo martirio às mãos dos militantes actuais do seu partido.

Sotnas disse...

Caro Pedro Fontela,
Não me interprete mal, ao falar no tempo. Eu sei, que não é fácil dizer isso a quem é constantemente discriminado. Mas, também sei que as sociedades humanas funcionam assim, por passos em frente e por vezes até por passos atrás.
Mas nem por isso advogo um deixar andar até amadurecer: advogo isso sim, uma luta constante de forma a fazer o tempo andar mais depressa, isto é, as mentalidades a mudarem mais rapidamente.

Tiago disse...

Passei para conhecer esse Blog, que em algum momento me lembrou o meu.
Penates para proteção.
Abraços.